sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

The Way Of Love -Capítulo 1: Unconscious Consciousness

As vezes agimos pensando, e sem pensar, guiados por sentimentos ou momentos, simplesmente agimos, e nossos atos podem mudar nossa vida completamente.

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Casa do booth.

Sala do Booth
3:50 da manhã, ainda não conseguira pegar no sono, o tempo passara sem que percebesse, os últimos acontecimentos tinham deixado ela confusa, com medo, assustada, se sentindo culpada. “Don’t make me go” O que levara Vincent a pedir tal coisa¿ Será que pensara que ela o faria sair do programa de estágio por ter levado um tiro¿ a culpa não era dele, ela nunca faria isso. O desespero da culpa batia forte, ela era uma pessoa tão ruim assim para deixar a impressão de que o demitiria por ele ter levado um tiro¿ Ele era um dos squinterns favoritos dela, tinha levado um tiro atendendo um telefonema que era para Booth. E Booth, ele quem deveria ter levado aquele tiro, ele quem deveria ter morrido com um rompimento na aorta. Deus (de forma figurada, é claro), sentia-se culpada por sentir, é, sentir, que foi até bom Vincent ter morrido, pois ele morreu no lugar de Booth, e o que faria sem Booth¿ Há quase doía anos, em frente ao edifício Hoover, não aceitou quando Booth pediu para darem um chance aos dois, justamente por medo de perde-lo, perde-lo indefinidamente. Todos os romances eram efêmeros, todos! A amizade deles era concreta, metaforicamente falando. Não poderiam perder um relacionamento como aquele por algumas horas de romance e sexo, aquela amizade valia mais. Recentemente tinha mudado de ideia, pois deparara com a morte, teve medo, notara o quanto a vida era efêmera, talvez valesse a pena curtir um relacionamento pleno com Booth, sem medo do fim.. E também, ela já o estava perdendo, ele se afastara tanto com a chegada da Hannah. Hannah era uma mulher incrível, era sua amiga, e ela podia entender o porquê de Booth ama-la. Ele até a pediu em casamento. Mas ao mesmo tempo sentia certa repulsa por Hannah. Emoções conflitantes, como agora. Triste pela morte de Vincent, feliz por não ter sido Booth. Culpa. Medo. Medo de perder Booth. Não conseguia dormir, a noite se arrastava. 4:46. Precisava falar com alguém. Levantou-se e foi em direção ao quarto.

Quarto de Booth.
4:47.
A porta se abre. Booth, com seu treinamento de anos no exército e de atirador de elite, “acorda”. Não estava dormindo plenamente, mas não estava acordado. Conseguira ouvir qualquer barulho e o da porta se abrindo fê-lo levantar-se e pegar a arma, pronto para atirar e matar quem quer que fosse. Mas era Bones. Sua Bones. O que fazia ali na porta do seu quarto¿ Será que acontecera algo¿
-O quê¿ - Disse Booth assim que escutou a porta se abrindo.
-Ah, me desculpe. –Bones levantara as mãos, em sinal de rendição, assustada.
-Não, me desculpe. Desculpe. Você... Ouviu alguma coisa¿ - Porque ela estaria ali mesmo¿ Booth se perguntava
-não, não. –Disse-lhe, olhando para a sala, como que para pensar melhor, verificar se tudo estava bem, não olhar em sua cara.
-Quer que eu abaixe a arma¿
-Sim. – Disse, mas ainda sem encara-lo, como que para esconder algo lá dentro de sua alma.
-Ok, qual o problema¿ - Mais relaxado por nada ter acontecido, mas ainda preocupado, a expressão de Bones o assustava. O que acontecera¿
-ele ficava dizendo “não me faça ir”. – Disse, se aproximando da cama e olhando para Booth com aquele olhar.. Um olhar de tristeza, de dor. Ela estava desfazendo suas defesas, e deixando toda a dor transparecer. Poucas vezes Booth a vira assim, realmente vulnerável, expondo seus sentimentos. Era doloroso para ele ver os olhos dela assim, escurecidos pela dor, turvados. Era de um azul sangrento aquele olhar.

-o quê¿ - perguntou, confuso.
-Vincent. Ele estava olhando para mim e dizia: ”Não em faça ir embora”. Ele disse que.. Adorava estar lá. Por que ele pensaria que eu faria ir embora¿ Que tipo de pessoa sou eu¿ - Ela falava de Vincent, aquela morte realmente mexera com ela, mesmo ela não querendo admitir, e Booth sabia disso, fora um dos motivos de leva-la para sua casa. Precisava protegê-la, tanto de Broadsky quanto dela mesma.
-Não, venha aqui, não, não, não, Bones. Você entendeu errado, tudo bem¿ Entendeu tudo errado. – Precisava fazê-la entender, ela era uma das melhores pessoas que ele conhecia, tinha um coração imenso, mesmo que não demonstrasse isso muitas vezes, ele a conhecia, e não poderia deixa-la pensar assim de si mesma.
-Não, eu o ouvi. Você também. “Não me faça ir embora.” Foi o que ele disse. – Disse-lhe, descrente que ele pudesse estar falando com outra pessoa. Queria entender porque ele pensara que ela o faria ir embora.
-Ele não estava falando com você.
-Eu era a única lá. E você, e ele... Ele não estava falando com você. – Disse, com um suspiro, como poderia não estar falando com ela¿ Racionalmente, só poderia estar falando com ela.
-Ele estava falando com Deus. Ele não queria morrer. – Ficou bem claro em sua cabeça, como ela não via isso¿
-Não, Vincent era igual a mim, Booth. Ele era ateu. – Não era Deus, ele era ateu, como poderia falar com Deus sem acreditar na existência do mesmo, isso estava claro, racionalmente, para ela.
-Ok. Então ele estava falando com o universo. Ele não queria ir embora. Ele não estava pronto, Bones. Ele queria ficar.
-Seu Deus existisse ele deixaria Vincent ficar aqui conosco. – Como poderia um Deus dito tão bom, ser tão ruim¿
-Não é assim que funciona. – Podia ver que o rosto dela ainda não estava aceitando aquilo completamente, a morte de Vincent a abalara profundamente. Acreditara não ser só por ter sido a morte dele, tinha algo mais, talvez ter sido no laboratório que ela tanto amava, a sensação de vulnerabilidade que ela tanto odiava.
-Você pode... – Ela disse, fazendo um movimento com a cabeça, como que pedindo para deitar-se com ele.
-Posso... É por isso que estou aqui. Estou aqui. Estou aqui. – Falava, tentando acalma-la. Sua Bones, não queria vê-la sofrendo desse jeito, não merecia. Abraçava-a, tentando conforta-la, enquanto passava a mão em seu braço. Quase como se tentasse esfregar aquele sentimento dela para longe. Acaricia-la para conforta-la, mostrar que ele estava ali, com ela, enquanto ela chorava e derramava sobre ele toda aquela dor.



Os minutos foram passando, e o choro diminuindo. Booth realmente a acalmara. Sabia que não era completamente reacional agir como estava agindo. Mas não estava conseguindo ser objetiva naquele momento. Colocara, minutos antes, a mão sob o peito de Booth, e agora, mais calma, tomara consciência de sua presença. Sentiu sua vida pulsar ali, embaixo de sua mão. O coração batendo. Bem ritmadas, no ritmo da vida de Booth. Sem uma explicação lógica, àquilo a despertou em todos os cantos de seu corpo. Sabia o quanto Booth mexia com ela, mas ainda estava abalada pela morte de Vincent, como poderia sentir-se assim... Tão... Excitada¿ Lentamente, levantou a cabeça, tentando olhar Booth nos olhos. Ele também a encarava. Em seu olhar podia ver.. sabia que nunca acreditara que os olhos pudessem dizer algo, mas via amor naquele olhar, amor, carinho, compreensão, desejo.. Ele também a desejava, podia ver. Ficou encarando no que pareceu ser uma eternidade. Mas então, alguém se moveu, não se sabe quem o fez primeiro, e encostaram seus lábios. Um beijo carinhoso, suave, cuidadoso, que foi se tornando um beijo apaixonado, exigente, quente, enquanto a língua dele pedia passagem. Entreabriu os lábios, e começou um jogo de caricias, caricias quentes, de uma língua na outra, que contavam mais do que palavras, metaforicamente. Falavam de amor, contavam a história dos dois, eram cumplices, velhas conhecidas. Ela soltou um suspiro, como aquilo era bom. Os dois rolarem na cama, fazendo Booth ficar sobre ela. Mas nem um dos dois afastou o beijo imediatamente. De repente, pararam, sem folego. Encarando um ao outro. E ela pode sentir o que causara nele pressionando sua virilha. Nas duas cabeças, o que se passava eram amor e medo.


Brennan sempre quisera que aquilo ocorresse, mesmo sem admitir para si mesma, por muito tempo, tinha medo de perdê-lo pro uma noite de amor. Dissera para ele, naquela fatídica noite em que quase fora atropelada, que não queria ter arrependimentos. E não queria mesmo, mas ele amava Hannah, ele falara isso. Será que não estava se precipitando¿ Talvez ele ainda amasse Hannah, não queria ser um prêmio de consolação e nem queria ele ficando com ela por pena.


Booth tinha medo do que ela sentia por ele. Aquele era o momento certo¿ Ela vulnerável¿ Ela dissera que queria ter algo com ele, que não queria arrependimentos. Fizeram promessa se um dia tentarem ficar juntos, quando ela estivesse menos resistente e mais forte. Era esse o momento¿


Olhando um para outro, eles não tiveram coragem de dizer nada, os pensamentos começaram a ser empurrados para o fundo de suas mentes, sendo ofuscados pelo desejo, pela sensação intensa demais daquele momento.
Retomaram o beijo, mais exigente, mas urgente. Brennan passava a mão pelo peito de Booth, chegando as gostas, sentindo todo aquele corpo, ficando consciente do quanto o queria. Sentia pontadas na virilha, exigindo continuidade para aquele momento. Foi abaixando as mãos até a bainha da blusa, começou a puxa-la, com urgência. Booth a deixou tirar blusa, interrompendo o beijo.



Olhou-a, puxou o moletom que ela usava para cima, tirando-o rapidamente, deixando visíveis os seios fartos. Eram os mais perfeitos que já vira. Rapidamente, abaixou a cabeça para o vale entre os seios e começou a beijar, subindo até a boca, colocando as mãos sobre seus seios, arrancando suspiros de Brennan. Ela com as mãos em suas costas, sentindo cada movimento de seus músculos, pôs a cabeça para trás para dar livre acesso ao seu pescoço e colo. Booth a beijava loucamente, como que para guardar aquele sabor consigo quando aquele momento acabasse. Começaram a tirar as peças de roupa rapidamente, com urgência, como que para não deixar aquele momento se acabar antes que qualquer um dos dois ficasse realmente consciente o suficiente e recuasse, como que aproveitar a embriaguez que os sentimentos deles estavam provocando em ambos.

Nus, ele sobre ele, o contato da pela queimava. Ele nem conseguiam se olhar nos olhos, de tão urgente que era o momento, tão apaixonado. O corpo em si fazia carícias, um no outro, só pelo simples contato das peles.. Os beijos eram únicos. E ali, entregue a carícias, medos e uma embriaguez de paixão, tornaram-se um... E adormeceram, ela sob seu peito.

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6:00 da manhã. Brennan acordou confusa. Estava no quarto de Booth, completamente nua. Os últimos acontecimentos a tomaram de assalto. Sorriu, mas não conseguiu sustentar o sorriso. Seus pensamentos anteriores a assustaram. E se tivesse estragado tudo¿ Esteve tão vulnerável que nem conseguiu pensar racionalmente. Ele já havia saído. Deixara um recado na mesinha ao lado, de que já saíra porque precisava trabalhar cedo para pegar Broadsky.
Assustada, vestiu as roupas do dia anterior, desceu e pegou um táxi para seu prédio. Precisava tomar um banho e trocar de roupa. Esperava não ter estragado tudo.

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Escritório de Booth. Booth pensava sobre a noite anterior, esperava não ter estragado tudo com Brennan. Deus, a amava tanto, fora tão perfeito. Se não pudessem conversar, pelo menos esperava que ela não o afastasse. Foi tirado de seus pensamentos ouvindo batidas na porta do escritório...

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Brennan estava no Jeffersonian, examinando novamente o esqueleto de Leishenger. Sua cabeça estava um caos. Tentava se focar no trabalho para não pensar demais em tudo o que acontecera. Vincent. Ela e Booth.. Mas aqueles pensamentos insistiam em não deixa-la em paz. Ficavam circulando em sua mente como abutres, tirando seu foco. Horas se passaram com a velocidade de minutos, quando Ângela apareceu novamente, preocupada com ela por estar tanto tempo encarando o crânio de Leishenger. Mas não podia evitar, parecia que só o encarava havia alguns segundos, pois não se concentrara em qualquer momento.




-Você está encarando o crânio de Leishenger e muito tempo. Está tentando fazê-lo falar com você¿ - Disse com um sorriso, tentando melhorar o clima.
-Está sendo metafórica¿ - perguntou, confusa. Esqueletos não falam, estão mortos. E não conseguia ver graça no que a amiga dissera. Pelo menos não agora.
-Não, só estava tentando melhorar o clima. Não funcionou.
-O processo mastoide, geralmente, não é um alvo em combate corpo-a-corpo. Talvez eu deva examina-lo microscopicamente. – Disse, tentando disfarçar sua distração.
-Você me disse isso há uma hora. O que está acontecendo¿ - Realmente, nada escapava de Ângela, além da facilidade de “ler” as pessoas, ela também era sua melhor amiga, e a conhecia muito bem. – É por causa de Vincent¿
-Yes. – Disse, sinceramente.
-Yeah. – Percebera o quanto aquilo abalara a amiga.
-E... – Ângela olhou para ela, tentando adivinhar o que mais poderia causar aquilo, além de Vincent. Mas pelo jeito, seria uma bomba. – Eu fui para cama com Booth, noite passada.
-O qu.. - Choque, a expressão da Ângela foi de choque. Sua boca foi se abrindo lentamente, assim como seus olhos se abriram de forma espantada. Nenhuma palavra foi dita. Brennan ficou nervosa.
-Porque você não está dizendo nada¿
-porque não quero gritar “ALELUIA” tão perto da morte do Vincent. –Disse, em um só fôlego.
-Eu acho que eu fiz por causa do Vincent. – Disse, meio abalada com isso.
-Espere. Wow. – Angela disse, tentando organizar os pensamentos, confusos diante da notícia. -O que exatamente aconteceu após... –tentando conte a emoção antes de finalmente perguntar -... Após ter ido para cama com o Booth¿
Brennan pensou no que responder, mas só conseguiu dar um sorriso.. que nasceu e se desfez.
Ângela não podia acreditar, depois de ano! Sete anos! Depois de sete anos aqueles dois finalmente tiveram algo e se entregaram a paixão.
-Hodgins estava interrompendo o momento quando Ângela o expulsou dali. Para depois voltar para Brennan e perguntar.
-E agora¿
-Ângela, eu não sei. –aquilo realmente era um problema. –Não falamos nada sobre isso, eu acho que eu fiz no impulso, acho que fizemos no impulso, talvez não fosse o momento certo. Espero não ter estragado tudo.
-Querida, Booth te ama, você com certeza não estragou tudo. Pelo menos não ainda. – Disse, conhecendo a amiga que tinha.
-O que quer dizer¿
-Se você não fugir dele, não tentar fugir da situação, pode ser até que vocês fiquem juntos, formando uma família, como já deveria ter acontecido há muito tempo.
-Mas Ângela, nem sei se ele vai querer conversar sobre isso. Eu estava vulnerável, eu não conseguir pensar racionalmente na hora. E apesar de maravilhoso, acredito que tenha sido um erro, naquele momento. E eu estava com medo pela morte de Vincent, medo por ter sido o Booth no lugar do Vincent.
-Ok, você é quem sabe, mas não jogue sua chance fora, Bren. Não temos muitas chances como está. Converse com ele. Diga o que sente.
-Ângela, vou deixar as coisas como estão, não vou fugir, mas não vou fazer muita coisa, ainda tenho medo. Por favor, me deixe fazer do meu jeito.
-Ok. Se é o que você quer. Mas acho que você deveria conversar com ele.

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Aquela noite, o corpo de Vincent fora levado embora, para a mãe do rapaz. Ninguém notara os olhares cumplices que Brennan e Booth compartilhavam. Tinha algo a mais naqueles olhares, mas ninguém notou. No final, Brennan pôs o braço ao redor do braço de Booth, e entraram novamente no instituto.



Lá dentro, todos se despediram. Inclusive Brennan e Booth. O olhar de cada um dizia muito. Se perguntavam se o outro não iria tocar no assunto da noite anterior, e se perguntavam se agora tinham alguma coisa. No final, por medo de perder o que já tinham. Despediram-se e cada um foi para sua casa. Para suas respectivas camas.

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