Mas nem sempre as coisas são como queremos.
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Quatro semanas depois da morte do Vincent, apartamento da Brennan.
4:47.
Brennan acorda, depois de mais um daqueles sonhos com aquela noite. Todas as noites sonhava com aquilo se repetindo, e às vezes de formas um pouco diferentes. Eram tão reais que ela chegava a acreditar que tinham acontecido de verdade, até se dar conta de que tinha sido um sonho e estava sozinha na cama. Sem Booth. O cheiro dele estava preso em sua memória, não em seus lençóis e nem em seus travesseiros. Impregnado em suas lembranças. Mas não acordou por isso, o sonho fora interrompido, mais uma vez, como ocorrera durante toda aquela semana. O que a acordara fora um enjoo. Corria para o banheiro, não conseguia evitar. Mais uma noite. Nos primeiros dois dias acreditara estar doente. Tomara remédio para enjoo. Mas isso já acontecia há quase duas semanas. E os cheiros, ah, os cheiros. O perfume da Cam a fazia correr para o banheiro. Tudo levava a crer em uma coisa. Mas não era o momento certo. Não podia estar acontecendo. Mas tudo indicava que sim, que estaria grávida. Grávida de Booth. Até sua menstruação estava atrasada, uma semana atrasada. Sem parceiros sexuais há um bom tempo, ele fora o único com que fizera amor em meses. Lembrou-se de que naquela noite, com a urgência do ato sexual, esqueceram-se de usar proteção. Não tinha tido importância no momento. Mas agora, agora tinha sido comprovada a sua imprudência. Como iria dizer aquilo ao Booth¿ Como ele reagiria¿ Será que ficaria com raiva pela imprudência¿ Sabia que ele não queria ter filhos fora do casamento. Ele iria se chatear, provavelmente. Mas se fosse verdade, era algo maior que ele, ela nunca faria nada contra um filho dela, e sendo filho dele, menos ainda. Mesmo que aquilo acabasse com o que tinham. ~
Tomou um banho, olhou no relógio, dava tempo de fazer o que queria antes de ir ao laboratório. Vestiu uma roupa, já se preparando para ir ao trabalho, assim só passaria na farmácia, voltaria para casa e depois sairia novamente em direção ao trabalho, sem se preocupar em ficar se trocando de novo. E claro, não poderia fazer no trabalho, da última vez, Ângela fizera um exame lá e Cam vira o exame. Poderia ver de novo e a cena se repetir. Desceu, pegou o Prius e partiu para a farmácia mais próxima. Comprou o teste de gravidez. Se desse positivo iria fazer imediatamente um exame de sangue, e se desse negativo iria esperar para ver se os “sintomas” não parariam, para só aí fazer o exame de sangue. Correu para casa. Leu a embalagem com instruções. Urinar na pontinha do teste, esperar alguns minutos, se tiver azul, positivo, se ficar vermelho, negativo.
Os minutos pareciam não passar. Andava de um lado para o outro. Olhava o exame. Nada ainda. O que uma cor não faria na vida de alguém¿ Azul, positivo, milhões de consequências. Vermelho, negativo, nada a declarar. Isso a fez sorrir, se Booth soubesse desse pensamento diria que era algo muito poético para ela.
Olhou novamente o exame. Azul. Apesar de ser o resultado esperado, não pôde deixar de sentir um leve desespero, e ao mesmo tempo, alegria, muita alegria. Ela estava grávida! Ia ter um filho, um filho do Booth. Era algo incrível. Incrível e assustador. Decidiu a chegar mais tarde no laboratório naquele dia, iria fazer uma exame de sangue.
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Dia seguinte.~
Nenhum caso aparecera no último dia. Todos estavam ansiosos com a gravidez da Angela, o bebê podia nascer a qualquer momento. E Brennan esperava o resultado dos exames. Olhando seu e-mail pela vigésima vez naquele dia. Finalmente viu. Um e-mail do laboratório. Era isso, iria confirmar ou negar suas suspeitas. Confirmar ou negar o exame da farmácia.
Abriu o e-mail, e fechou os olhos rapidamente, antes de ler o exame. Sabia dos termos técnicos ali, mas estava tão ansiosa que não os leu direito, procurou pelo resultado.
“POSITIVO”
É, agora era certeza. Sua vida iria sofrer uma mudança drástica. Esperava estar pronta para aquilo. Com certeza amaria aquela criança. Amaria muito. Mas tinha medo reação do Booth, e tinha medo de não ser uma boa mãe. Medo. Felicidade. Tinha que contar ao Booth. O pai do seu bebê. Não pode deixar de sorrir diante de tal pensamento. Uma excitação de felicidade subiu pelo seu estômago. O amava tanto, um filho dele era mais do que um sonho, agora era realidade. Seu sorriso aumentou, claramente estava feliz, mesmo com todas as dúvidas e incertezas. Mesmo com o medo. Já amava muito aquele bebê, e mesmo que Booth não gostasse da ideia, era pai do filho dela. Tinha que contar a ele. Sorriu e uma lágrima desceu por sua face. Naquele momento alguém bateu na porta do seu escritório. Por reflexo, enxugou a lágrima, não queria que ninguém a visse chorando. Sabia quem era. Era Booth, podia sentir a presença dele. Não era racional, mas podia sentir, depois de 7 anos, podia senti-lo ali. Controlando suas emoções olhou para ele, séria, depois olhou para a tela do computador, fechando o e-mail.
-O que faz aqui, temos um caso¿ - Aquilo soara mais frio do que deveria, mas estava tentando conter suas emoções.
-Opa, Bones! Yeah, temos um caso. Você está bem¿
Ele a conhecia tão bem, não pôde deixar de sorrir com isso.
-Estou bem, Booth, só estava concentrada aqui. Então, o caso¿
-Um corpo foi encontrado numa pista de boliche, iremos lá investigar. Pronta¿
-Ok. –Levantou-se pegando o casaco e indo em direção a Booth.
Durante todo o dia, não conseguia de pensar em Ângela, pensar em como contar a notícia a Booth, e imaginar como seria ter um filho com ele. Estava muito feliz.
Andando pela rua, saindo do Hospital, estavam indo ao Royal Diner, quando ela diz:
-Eles pareciam muito felizes.- Reparara isso nos amigos, estavam muito felizes, mesmo com todas as preocupações que acompanham a chegada de um bebê. Não sabia como Booth reagiria a sua gravidez, pois isso não estava feliz plenamente.
-Claro, eles tiveram um bebê.
-Mas a vida deles mudou completamente, espera-se que estejam mais apreensivos. – Disse, pois era o que acreditava. Como eles dariam com um bebê¿ Iria mudar suas vidas.
-Ter um bebê é uma coisa boa. – Disse com sinceridade.
-Você realmente acha isso¿ - Estava preocupada, mas ele estava dizendo que era uma coisa boa, será que acharia isso quando soubesse da gravidez dela¿
-Claro, é uma coisa ótima. Por que¿ - Olhando para ela podia notar apreensão. O que estaria acontecendo. – O que foi¿ - Ela não respondeu, encarava-o nervosa, em dúvida... – Qual é, Bones. O bebê.. Está bem. Está saudável. Tiveram um bebê saudável. Eles se amam. É o dia mais feliz de suas vidas. Certo¿ - Já ia recomeçar andar, quando notara que ela estava parada e ainda o encarava, parecendo ainda nervosa, em dúvida, mas decidida. – O que foi¿
Ela piscou algumas vezes, pensando que aquele era o momento, soltaria a bomba, metaforicamente. Ainda ansiosa, bateu nervosamente o braço ao lado do corpo. As palavras querendo sair...
Encarou-o, tomou ar e disse: Estou.. – sorriu nervosamente – Estou grávida. – Encarava-o sorrindo de leve, nervosa. Ele não esboçou reação, parecia paralisado. Não sabendo por que ele agira daquela forma, disse: - Você é o pai. – Falou quase num suspiro, apreensiva. Ela não gostara, não é¿
Estava começando a se sentir mal pela situação quando viu um sorriso começando a surgir em seus lábios. Atingindo todo o belo rosto. E saiu com um suspiro de alegria. Ele estava feliz. Ela sorriu em resposta.
Ele não se conteve e a abraçou, calorosamente. Depois pois as mãos em sua face a beijou, um beijo tímido mais que dizia muito. Parou, encarando-a. A amava tanto e agora teria um filho com ele.

-Eu te amo. – Ele disse. Aquilo parecia pouco mais traduzia tudo que estava sentindo agora
Ela sorriu.
-Também te amo, Booth. – Disse, dando a ele um olhar que dizia o mesmo que ele acabara de ouvir. Abraçaram-se e ficaram ali por um tempo. Abraçados, compartilhando o mesmo sentimento. Como ela pôde duvidar que ele ficaria feliz¿ Era Booth. O homem honrado que conhecera, o perfeito macho-alfa.
Recomeçaram a andar em direção ao carro dele. Estavam de mãos dadas, cada um com um sorriso que iluminava todo o rosto. Os lábios curvados que atingiam os olhos de ambos. Felicidade. Quem os visse agora só poderia sentir isso. Emanavam felicidade.
Entraram no carro, deram uma olhada um para o outro, ainda sorrindo.
-Vamos comprar comida Tailandesa, Bones. Hoje você vai para minha casa.
-Mas Booth, eu..
-Sh-sh-shh! Não, hoje você vai para minha casa, e não tem “mas” e nem meio “mas”, ouviu¿
-O-ok.
-Ok, ótimo. Ligue para pedir nossa comida, assim chegarão em casa ao mesmo tempo que nós dois.
O resto do caminho até a casa de Booth foi tranquilo, conversaram sobre Angela e o pequeno Michael, além de conversarem sobre o caso. Como Booth dissera, a comida chegara praticamente no mesmo momento que eles.
Mas a noite não acabaria ali, ainda tinham muito que falar. Ou nada para falar, pois certas coisas são melhores quando não são ditas.
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